FÉRIAS, FERIADOS E FALTAS
Decreto-Lei n.º 874/76, de 28 de Dezembro com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro.

CAPÍTULO I

Âmbito
ARTIGO 1.º
(Âmbito material e pessoal)


O regime jurídico de férias, feriados e faltas definido pelo presente diploma é aplicável às relações de trabalho prestado por efeito de contrato individual de trabalho, com excepção das relações de trabalho rural, de serviço doméstico e de trabalho a bordo, as quais serão objecto de diplomas específicos.

CAPÍTULO II

Férias
ARTIGO 2.º
(Direito a férias)

1. Os trabalhadores têm direito a um período de férias remuneradas em cada ano civil.

2. O direito a férias reporta-se ao trabalho prestado no ano civil anterior e não está condicionado à assiduidade ou efectividade de serviço, sem prejuízo do disposto no H

3. O direito a férias deve efectivar-se de modo a possibilitar a recuperação física e psíquica dos trabalhadores e assegurar-lhes condições mínimas de disponibilidade pessoal, de integração na vida familiar e de participação social e cultural.

4. O direito a férias é irrenunciável e o seu gozo efectivo não pode ser substituído, fora dos casos expressamente previstos na lei, por qualquer compensação económica ou outra, ainda que com acordo do trabalhador.

ARTIGO 3.º
(Aquisição do direito a férias)

1. O direito a férias adquire-se com a celebração do contrato de trabalho e vence-se no dia 1 de Janeiro de cada ano civil, salvo o disposto nos números seguintes.

2. Quando o início da prestação de trabalho ocorra no segundo semestre do ano civil, o direito a férias só se vence após o decurso de seis meses completos de serviço efectivo (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. Quando o início da prestação de trabalho ocorrer no primeiro semestre do ano civil, o trabalhador tem direito, após um período de 60 dias de trabalho efectivo, a um período de férias de oito dias úteis (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

ARTIGO 4.º
(Duração do período de férias)

1. O período de férias é de 22 dias úteis (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

2. A entidade empregadora pode encerrar, total ou parcialmente, a empresa ou estabelecimento, nos seguintes termos (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro):

a. Encerramento durante pelo menos 15 dias consecutivos entre o período de 1 de Maio a 31 de Outubro;

b. Encerramento por período inferior a 15 dias consecutivos ou fora do período entre 1 de Maio e 31 de Outubro, quando assim estiver estipulado em convenção colectiva de trabalho ou mediante parecer favorável das estruturas sindicais representativas dos trabalhadores.

1. Salvo o disposto no número seguinte, o encerramento da empresa ou estabelecimento não prejudica o gozo efectivo do período de férias a que o trabalhador tenha direito (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

2. Os trabalhadores que tenham direito a um período de férias superior ao do encerramento podem optar por receber a retribuição e o subsídio de férias correspondentes à diferença, sem prejuízo de ser sempre salvaguardado o gozo efectivo de 15 dias úteis de férias, ou por gozar, no todo ou em parte, o período excedente de férias prévia ou posteriormente ao encerramento (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. Para efeitos de férias, a contagem dos dias úteis compreende os dias da semana de segunda a sexta feira, com excepção dos feriados, não sendo como tal considerados o sábado e o domingo (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

ARTIGO 5.º
(Direito a férias dos trabalhadores contratados a termo)

1. Os trabalhadores contratados a termo cuja duração, inicial ou renovada, não atinja um ano, têm direito a um período de férias equivalente a dois dias úteis por cada mês completo de serviço (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

2. Para efeitos da determinação do mês completo de serviço devem contar-se todos os dias, seguidos ou interpolados, em que foi prestado trabalho (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. (eliminado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).


ARTIGO 6.º
(Retribuição durante as férias)

1. A retribuição correspondente ao período de férias não pode ser inferior à que os trabalhadores receberiam se estivessem em serviço efectivo e deve ser paga antes do início daquele período.

2. Além da retribuição mencionada no número anterior, os trabalhadores têm direito a um subsídio de férias de montante igual ao dessa retribuição.

3. A redução do período de férias nos termos H não implica redução correspondente na retribuição ou no subsídio de férias.


ARTIGO 7.º
(Cumulação de férias)

1. As férias devem ser gozadas no decurso do ano civil em que se vencem, não sendo permitido acumular no mesmo ano férias de dois ou mais anos.

2. Não se aplica o disposto no número anterior, podendo as férias ser gozadas no 1.º trimestre do ano civil imediato, em acumulação ou não com as férias vencidas neste, quando a aplicação da regra aí estabelecida causar grave prejuízo à empresa ou ao trabalhador e desde que, no primeiro caso, este der o seu acordo.

3. Terão direito a cumular férias de dois anos:

a. Os trabalhadores que exercem a sua actividade no continente, quando pretendam gozá-las nos arquipélagos dos Açores e da Madeira;

b. Os trabalhadores que exercem a sua actividade nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, quando pretendam gozá-las em outras ilhas ou no continente;

c. Os trabalhadores que pretendam gozar as férias com familiares emigrados no estrangeiro.

1. Os trabalhadores poderão ainda acumular no mesmo ano metade do período de férias vencido no ano anterior com o desse ano mediante acordo com a entidade patronal.


ARTIGO 8.º
(Marcação do período de férias)

1. A marcação do período de férias deve ser feita por mútuo acordo entre a entidade patronal e o trabalhador.

2. Na falta de acordo, caberá à entidade patronal a elaboração do mapa de férias, ouvindo para o efeito a comissão de trabalhadores ou a comissão sindical ou intersindicatos ou os delegados sindicais, pela ordem indicada.

3. No caso previsto no número anterior, a entidade patronal só pode marcar o período de férias entre 1 de Maio e 31 de Outubro, salvo parecer favorável em contrário das entidades nele referidas e o disposto em instrumento de regulamentação colectiva de trabalho.

4. Na marcação das férias, os períodos mais pretendidos devem ser rateados, sempre que possível, beneficiando, alternadamente, os trabalhadores em função dos períodos gozados nos dois anos anteriores (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

5. Salvo se houver prejuízo grave para a entidade empregadora, devem gozar férias no mesmo período os cônjuges que trabalhem na mesma empresa ou estabelecimento, bem como as pessoas que vivam há mais de dois anos em condições análogas às dos cônjuges (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

6. As férias podem ser marcadas para serem gozadas interpoladamente, mediante acordo entre o trabalhador e a entidade empregadora e desde que salvaguardado, no mínimo, um período de dez dias úteis consecutivos (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

7. O mapa de férias, com indicação do início e termo dos períodos de férias de cada trabalhador, deve ser elaborado até 15 de Abril de cada ano e afixado nos locais de trabalho entre esta data e 31 de Outubro.

(N.º 7 aditado pelo artigo 18.º da H)


ARTIGO 9.º
(Alteração da marcação do período de férias)

1. Se depois de marcado o período de férias, exigências imperiosas do funcionamento da empresa determinarem o adiamento ou a interrupção das férias já iniciadas, o trabalhador tem direito a ser indemnizado pela entidade patronal dos prejuízos que comprovadamente haja sofrido na pressuposição de que gozaria integralmente as férias na época fixada.

2. A interrupção das férias não poderá prejudicar o gozo seguido de metade do período a que o trabalhador tenha direito.

3. Haverá lugar a alteração do período de férias sempre que o trabalhador na data prevista para o seu início esteja temporariamente impedido por facto que não lhe seja imputável, cabendo à entidade empregadora, na falta de acordo, a nova marcação do período de férias, sem sujeição ao disposto no n.º 3 do artigo anterior (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

4. Terminando o impedimento antes de decorrido o período anteriormente marcado, o trabalhador gozará os dias de férias ainda compreendidos neste, aplicando-se quanto a marcação dos dias restantes o disposto no número anterior (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

5. Nos casos em que a cessação do contrato de trabalho está sujeita a aviso prévio, a entidade empregadora poderá determinar que o período de férias seja antecipado para o momento anterior à data prevista para a cessação do contrato.

ARTIGO 10.º
(Efeitos da cessação do contrato de trabalho)

1. Cessando o contrato de trabalho por qualquer forma, o trabalhador terá direito a receber a retribuição correspondente a um período de férias proporcional ao tempo de serviço prestado no ano da cessação, bem como ao respectivo subsídio.

2. Se o contrato cessar antes de gozado o período de férias vencido no início desse ano, o trabalhador terá ainda direito a receber a retribuição correspondente a esse período, bem como o respectivo subsídio.

3. O período de férias a que se refere o número anterior, embora não gozado, conta-se sempre para efeitos de antiguidade.


ARTIGO 11.º
(Efeitos da suspensão do contrato de trabalho por impedimento prolongado)

1. No ano da suspensão do contrato de trabalho por impedimento prolongado, respeitante ao trabalhador, se se verificar a impossibilidade total ou parcial do gozo do direito a férias já vencido, o trabalhador terá direito à retribuição correspondente ao período de férias não gozado e respectivo subsídio.

2. No ano da cessação do impedimento prolongado, o trabalhador tem direito após a prestação de três meses de efectivo serviço a um período de férias e respectivo subsídio, equivalentes aos que se teriam vencido em 1 de Janeiro desse ano, se tivesse estado ininterruptamente ao serviço (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. No caso de sobrevir o termo do ano civil antes de decorrido o prazo referido no número anterior ou de gozado o direito a férias, pode o trabalhador usufruí-lo até 30 de Abril do ano civil subsequente (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

ARTIGO 12.º
(Doença no período de férias)

1. No caso de o trabalhador adoecer durante o período de férias, são as mesmas suspensas desde que a entidade empregadora seja do facto informada, prosseguindo logo após a alta, o gozo dos dias de férias compreendidos ainda naquele período, cabendo à entidade empregadora, na falta de acordo, a marcação dos dias de férias não gozados, sem sujeição ao disposto H (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

2. Aplica-se ao disposto na parte final do número anterior o disposto no n.º 3 do artigo 11.º.

3. A prova da situação de doença prevista no número 1 poderá ser feita por estabelecimento hospitalar, por meio da Previdência ou de atestado médico, sem prejuízo, neste último caso, do direito de fiscalização e controlo por médico indicado pela entidade patronal.

ARTIGO 13.º
(Violação do direito a férias)


No caso de a entidade patronal obstar ao gozo das férias nos termos previstos no presente diploma, o trabalhador receberá, a título de indemnização, o triplo da retribuição correspondente ao período em falta, que deverá obrigatoriamente ser gozado no 1.º trimestre do ano civil subsequente.

ARTIGO 14.º
(Exercício de outra actividade durante as férias)

1. trabalhador não pode exercer durante as férias qualquer outra actividade remunerada, salvo se já a viesse exercendo cumulativamente ou a entidade patronal o autorizar a isso.

2. A violação do disposto no número anterior, sem prejuízo da eventual responsabilidade disciplinar do trabalhador, dá à entidade empregadora o direito de reaver a retribuição correspondente às férias e respectivo subsídio, dos quais 50% reverterão para o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. Para os efeitos previstos no número anterior, a entidade empregadora poderá proceder a descontos na retribuição do trabalhador até ao limite de 1/6, em relação a cada um dos períodos de vencimento posteriores (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).


ARTIGO 15.º
contra-ordenações

1 - Constitui contra-ordenação grave a violação dos n.º 1 e 4 do artigo 2.º, do n.º 3 do artigo 3.º, dos n.º 1 e 4 do artigo 4.º, do n.º 1 do artigo 5.º, do n.º 2 do artigo 6.º, dos n.º 3 e 4 do artigo 9.º, dos n.º 1 e 2 do artigo 10.º, dos n.º 1 e 2 do artigo 11.º, do n.º 1 do artigo 12.º e do artigo 13.º

2 - Em caso de violação dos n.º 1 e 4 do artigo 2.º do n.º 3 do artigo 3.º , dos n.º 1 e 4 do artigo 4.º, do n.º 1 do artigo 5.º, dos n.º 3 e 4 do artigo 9.º, do n.º 2 do artigo 11.º e do n.º 1 do artigo 12.º, se o arguido tiver cumprido o disposto no artigo 13.º e proceder ao pagamento voluntário da coima, esta será liquidada pelo valor correspondente a contra-ordenação leve.

3 - Constitui contra-ordenação leve a violação dos n.º 1 e 3 do artigo 7.º, do artigo 8.º, dos n.º 1 e 2 do artigo 9.º, do n.º 3 do artigo 11.º, do n.º 2 do artigo 12.º e dos n.º 2 e 3 do artigo 16.º

(Artigo 15.º com nova redacção conferida pelo artigo 18.º da H. Anterior redacção, com a epígrafe «Multas»:

1. Sem prejuízo do disposto nos artigos 25.º e 26.º do , no caso de inobservância de qualquer das normas do Capítulo II, a entidade empregadora fica sujeita à multa de 5.000$ a 50.000$ por cada trabalhador em relação ao qual se verifique à infracção (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

2. produto das multas reverte para o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. Sem prejuízo do disposto nos artigos 181.º e seguintes do H, as multas pela violação do disposto no presente diploma serão aplicadas na sentença proferida nas acções cíveis em que se provem tais violações, tendo a propositura da acção o efeito interruptivo previsto no n.º 2 do artigo 184.º do mesmo Código (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).)


CAPÍTULO III

Licença sem retribuição
ARTIGO 16.º
(Termos e efeitos)

1. A entidade patronal pode atribuir ao trabalhador, a pedido deste, licenças sem retribuição.

2. Sem prejuízo do disposto em legislação especial ou em convenção colectiva, o trabalhador tem direito a licenças sem retribuição de longa duração para frequência de cursos de formação ministrados sob responsabilidade de uma instituição de ensino ou de formação profissional ou no âmbito de programa específico aprovado por autoridade competente e executado sob o seu controlo pedagógico ou de cursos ministrados em estabelecimento de ensino (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. A entidade empregadora pode recusar a concessão da licença prevista no número anterior nas seguintes situações (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro):

a. Quando ao trabalhador tenha sido proporcionada formação profissional adequada ou licença para o mesmo fim, nos últimos vinte e quatro meses;

b. Quando a antiguidade do trabalhador na empresa seja inferior a três anos;

c) Quando o trabalhador não tenha requerido a licença com antecedência mínima de noventa dias em relação à data do seu início;

d) Quando a empresa tenha um número de trabalhadores não superior a vinte e não seja possível a substituição adequada do trabalhador, caso necessário;

e) Para além das situações referidas nas alíneas anteriores, tratando-se de trabalhadores incluídos em níveis de qualificação de direcção, chefia, quadros ou pessoal qualificado, quando não seja possível a substituição dos mesmos durante o período da licença, sem prejuízo sério para o funcionamento da empresa ou serviço.

1. Para efeitos do disposto no n.º 2, considera-se de longa duração a licença não inferior a sessenta dias (aditado pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

2. O período de licença sem retribuição conta-se para efeitos de antiguidade (redacção do anterior n.º 2)

3. Durante o mesmo período cessam o direitos, deveres e garantias das partes, na medida em que pressuponham a efectiva prestação de trabalho (redacção do anterior n.º 3).


ARTIGO 17.º
(Direito ao lugar)

1. trabalhador beneficiário da licença sem vencimento mantém o direito ao lugar.

2. Poderá ser contratado um substituto para o trabalhador na situação de licença sem vencimento, nos termos previstos para o contrato a prazo.


CAPÍTULO IV

Feriados
ARTIGO 18.º
(Feriados obrigatórios)

1. São feriados obrigatórios:

1 de Janeiro;

Sexta-Feira Santa;

25 de Abril;

1 de Maio;

Corpo de Deus (festa móvel);

10 de Junho;

15 de Agosto;

5 de Outubro;

1 de Novembro;

1 de Dezembro;

8 de Dezembro;

25 de Dezembro.

2. O feriado de Sexta-Feira Santa poderá ser observado em outro dia com significado local no período da Páscoa.


ARTIGO 19.º
(Feriados facultativos)

1. Além dos feriados obrigatórios, apenas poderão ser observados: o feriado municipal da localidade ou, quando este não existir, o feriado distrital; a terça-feira de Carnaval.

2. Em substituição de qualquer dos feriados referidos no número anterior, poderá ser observado, a título de feriado, qualquer outro dia em que acordem a entidade patronal e os trabalhadores.

ARTIGO 20.º
(Garantia da retribuição)


O trabalhador tem direito à retribuição correspondente aos feriados, quer obrigatórios, quer facultativos, sem que a entidade patronal os possa compensar com trabalho extraordinário.


ARTIGO 21.º
(Valor das disposições legais)


São nulas as disposições de contrato de trabalho ou de instrumento de regulamentação colectiva de trabalho, vigentes ou futuros, que estabeleçam feriados diferentes dos indicados nos artigos anteriores.

CAPÍTULO V

Faltas
ARTIGO 22.º
(Definição)

1. Falta é a ausência do trabalhador durante o período normal de trabalho a que está obrigado.

2. Nos casos de ausência do trabalhador por períodos inferiores ao período normal de trabalho a que está obrigado, os respectivos tempos serão adicionados para determinação dos períodos normais de trabalho diário em falta.

3. Para efeitos do disposto no número anterior, caso os períodos normais de trabalho diário não sejam uniformes, considerar-se-á sempre o de menor duração relativo a um dia completo de trabalho.

4. Quando seja praticado horário variável, a falta durante um dia de trabalho apenas se considerará reportada ao período de presença obrigatória dos trabalhadores.

ARTIGO 23.º
(Tipos de faltas)

1. As faltas podem ser justificadas ou injustificadas.

2. São consideradas faltas justificadas:

a. As dadas por altura do casamento, até onze dias seguidos, excluindo os dias de descanso intercorrentes;

b. As motivadas por falecimento do cônjuge, parentes ou afins, nos termos do artigo seguinte;

c. As motivadas pela prática de actos necessários e inadiáveis, no exercício de funções em associações sindicais ou instituições de previdência e na qualidade de delegado sindical ou de membro de comissão de trabalhadores;

d. As motivadas pela prestação de provas em estabelecimento de ensino;

e. As motivadas por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto que não seja imputável ao trabalhador, nomeadamente doença, acidente ou cumprimento de obrigações legais, ou a necessidade de prestação de assistência inadiável a membros do seu agregado familiar; (derrogado pelo artigo 40.º, n.º 2 do )

f. As prévia ou posteriormente autorizadas pela entidade patronal.

1. São consideradas injustificadas as faltas não previstas no número anterior.


ARTIGO 24.º
(Faltas por motivo de falecimento de parentes ou afins)

1. Nos termos da alínea b) do n.º 2 do artigo anterior, o trabalhador pode faltar justificadamente:

a. Até cinco dias consecutivos por falecimento de cônjuge não separado de pessoas e bens ou de parente ou afim no 1.º grau da linha recta;

b. Até dois dias consecutivos por falecimento de outro parente ou afim da linha recta ou 2.º grau da linha colateral.

1. Aplica-se o disposto na alínea b) do número anterior ao falecimento de pessoas que vivam em comunhão de vida e habitação com os trabalhadores.

2. São nulas e de nenhum efeito as normas dos contratos individuais ou instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho que disponham de forma diversa da estabelecida neste artigo.


ARTIGO 25.º
(Comunicação e prova sobre faltas justificadas)

1. As faltas justificadas, quando previsíveis, serão obrigatoriamente comunicadas à entidade patronal com a antecedência mínima de cinco dias.

2. Quando imprevistas, as faltas justificadas serão obrigatoriamente comunicadas à entidade patronal logo que possível.

3. 3. O não cumprimento do disposto nos números anteriores torna as faltas injustificadas.

4. 4. A entidade patronal pode, em qualquer caso de falta justificada, exigir ao trabalhador prova dos factos invocados para a justificação.

ARTIGO 26.º
(Efeitos das faltas justificadas)
(derrogado pelo
H)

1. As faltas justificadas não determinam a perda ou prejuízo de qualquer direitos ou regalias do trabalhador, salvo o disposto no número seguinte.

2. Determinam perda de retribuição as seguintes faltas ainda que justificadas:

a. Dadas nos casos previstos na alínea c) do n.º 2 do artigo 23.º, salvo disposição legal em contrário, ou tratando-se de faltas dadas por membros de comissões de trabalhadores;

b. Dadas por motivo de doença, desde que o trabalhador tenha direito a subsídio de previdência respectivo;

c. Dadas por motivo de acidente no trabalho, desde que o trabalhador tenha direito a qualquer subsídio ou seguro.

1. Nos casos previstos na alínea e) do n.º 2 do artigo 23.º, se o impedimento do trabalhador se prolongar para além de um mês aplica-se o regime de suspensão da prestação do trabalho por impedimento prolongado.

ARTIGO 27.º
(Efeitos das faltas injustificadas)

1. As faltas injustificadas determinam sempre perda de retribuição, correspondente ao período de ausência, o qual será descontado, para todos os efeitos, na antiguidade do trabalhador.

2. Tratando-se de faltas injustificadas a um ou meio período normal de trabalho diário, o período de ausência a considerar para os efeitos do número anterior abrangerá os dias ou meios de descanso ou feriados imediatamente anteriores ou posteriores ao dia ou dias de falta (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).

3. Incorre em infracção disciplinar grave todo o trabalhador que:

a. Faltar injustificadamente durante três dias consecutivos ou seis interpolados num período de um ano;

b. Faltar injustificadamente com alegação de motivo de justificação comprovadamente falso.

1. No caso de a apresentação do trabalhador, para início ou reinicio da prestação de trabalho, se verificar com atraso injustificado superior a trinta ou sessenta minutos, pode a entidade patronal recusar a aceitação da prestação durante parte ou todo o período normal de trabalho, respectivamente.


ARTIGO 28.º
(Efeitos das faltas no direito a férias)

1. As faltas, justificadas ou injustificadas, não tem qualquer efeito sobre o direito a férias do trabalhador, salvo o disposto no número seguinte.

2. Nos casos em que faltas determinem perda de retribuição, esta poderá ser substituída se o trabalhador expressamente assim o preferir, por perda de dias de férias, na proporção de um dia de férias por cada dia de falta, desde que seja salvaguardado o gozo efectivo de quinze dias úteis de férias ou de cinco dias úteis se se tratar de férias no ano de admissão (redacção conferida pelo Dec.-Lei n.º 397/91, de 16 de Outubro).


CAPÍTULO VI

Disposições gerais e finais
ARTIGO 29.º
(Cálculo do valor da retribuição horária)


Para os efeitos do presente diploma, o valor da retribuição horária será calculado segundo a seguinte fórmula:

Rm X 12

52 X n

em que Rm é o valor da retribuição mensal e n o período normal de trabalho semanal.


ARTIGO 30.º
(Vigência)


As disposições do presente diploma entram em vigor imediatamente, com excepção das do capítulo II, que entrarão em vigor no dia 1 de Janeiro de 1977.


ARTIGO 31.º

(Legislação revogada)


Ficam revogados o capítulo III do Decreto-Lei n.º 292/75, de 16 de Junho, as secções I, II, III e IV do regime jurídico do contrato individual de trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 49 408, de 24 de Novembro de 1969, o Decreto-Lei n.º 713-A/75, de 19 de Dezembro, e o Decreto-Lei n.º 274-A/76, de 12 de Abril.


Visto e aprovado em Conselho de Ministros. - Mário Soares

Promulgado em 9 de Dezembro de 1976.

Publique-se.

O Presidente da República, António dos Santos Ramalho Eanes.