O RECANTO POÉTICO DO EDGAR

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NOVOS POEMAS (2000)

(ver os mais antigos no final)

 

RA-TA-TA

CA-BOOM

Este é o som da guerra

Não é o meu som...

Não é o nosso Dom...

Não é o sonho que vivemos em tempos

Aliás,

Esta guerra grita sem ganas

Bem lá no fundo,

Das entranhas humanas

Que não perdem em soltar suas brumas negras

E chacinar quem não os vê

Quem não segue as suas regras

Que procuram todos...o quê?

Querem manter as suas virtudes

Á custa de inocentes

Que não tomam atitudes

Pois parecem não Ter dentes

Para revolucionar...

O padrão abandonar

Está nas nossas mãos

O poder...

De lhes retirarmos grão a grão

E fazê-los sofrer

Para ficarem com nada...

E então com o que é que atirarão?

...Palavras e um simples refrão?

Nada disto conseguem mentes caóticas

Pois não se podem defender

A explicar suas ópticas

Mas preferem morrer

A beijar a mão do pobre

Que um dia os irá fazer sofrer...

Ed-25/09/00

Lado a lado se fazem dois

E todo o mundo se faz depois

Qual Adão e Eva?

Qual Deus que fez a Terra

Foram duas células que se encontraram

E daí, filhos procriaram

Seres que vaguearam o planeta

Qual humano, qual oligoqueta...

Humano distúrbio faz

No simples animal que procura a paz

Seres malévolos e incipientes

Ganância que coloca petróleo nos indevidos recipientes

É capitalismo nova forma de vida

Um novo mundo que este criou

Já o deixou de chamar "querida"

Pois em longíquo milénio o Universo abortou

Um mundo que há muito comungou

Com a banal existência

O orgasmo de dinheiro

E a pura demência

È certo, que nosso olhos andam escuros

Procurando no galinheiro

A harmonia inatingível

A paz inviolável

Não é pelo caminho que tornámos viável

Que o sol brilha

A mãe dá carinho

E a mão da sua filha

Mas é por este troço

Esta estrada de alcatrão

Que vamos caindo no infinito poço

Ed-20-09-00

 

Um palco vazio...espectáculo fechou...

Sentimentos perdidos, pois o tempo findou

Novas vidas se fazem e novas estátuas se erguem

Amizades cessam...velhos amores se esquecem

O verde estende-se, vazio e desidratado

Oprimido e mal tratado

Tal como nós?

Seremos todos um número?

Ou actores falhados...

Numa peça onde amostras se deitam ao lixo

E depois...queixam-se de ninguém encontrar o seu nicho

Num espectáculo que já acabou

Muito antes de eu saber

Que já cá estou...

Ed-17/07/00

Que solidão imensa!

Que paz tão enriquecedora

O meu cérebro pensa

E minha voz é prometedora...

No ar que me rodeia

Em cada bafejo

Desta noite meia

Eu me revejo

A doçura da música que sinto

Não é razão alguma

Para saber que não minto

Ao afirmar que não sigo lei nenhuma

Persigo apenas a lei do virtuoso

Dentro deste planeta horroroso

E me transformo na caça

Daqueles que vivem no mato grosso

Mas por mim tudo isto passa

Pois eu vivo sem raça

Em cada segundo vivo para matar

Todos aqueles que não vivem para amar...

Ed-18/09/00

 

Todo o toque da tua pele

É macio como o ribombar do vento

Mas não me vejo nele

Penso mais se me tento

Porque não mais quererei chorar

Porque não quero saber

A razão do ritmo ser sonoro no ar

E o desejo de tanto te ver

Ouro e gente do mar

Mal elas sabem

Como é difícil não te perdoar

Pois o sentimentos não cabem

No teu céu e nas tuas estrelas...

Mais me quero perder em doces ruelas

Do que voltar a existir com elas

Ed-26/09/00

Esta cara vai para quem quer

Para quem se sentir capaz

Quem sabe mais do que saber

Quem não procura a mera paz

Senta-te bem,

Confortável poeta

Pois esta carta é para ti, mais ninguém

Podes considerá-la uma oferta

Um relato

Uma visão

Um tiro de raspão

Julgo que o verdadeiro poeta

È o que sente, não o que vê

Mas pensa...sem visão és também maneta

Pois quem da visão sente falta, raramente lê

Agora, a Revelação

Pois o mais importante num poeta,

Mais do que a sensação

È a sua caneta

Que reflecte experiências

O veículo do saber

O retrato de demências

E do vil prazer

Agora já o sabes

Esta é a mais importante arma

De quem ralata o sentimento

E quando finalmente despejares a tua tara,

Grita-a ao vento.

Ed-20/09/00

O cavalgar do tempo é inevitável

Quanto mais corres atrás dele

Mais ele se deseja afável

Revolve-se a mente

E ele continua, livre...

Tal como o nosso sagrado ente

O Vento que envolve as marés

E nos transforma em puro expediente

Sobre o lixo que se deita aos nosso pés....

Partilhai os vossos corpos Humanos

Pois quando o quiserem de novo

Os relógios vão escoar, amenos

Alheando-se de tudo o que se passa

Na dita pureza dos nossos terrenos...

Ed-26/09/00

 

Sente a luz penetrar

Compreende o teu luar

Sê tu, mais ninguém

Não te ergas num monumento

Nem te rebaixes à humanidade que procuras amar

Dá valor ao que corre por dentro

Sê livre de amar...

Com toques de graça nascestes

E com toques divinos irás, um dia morrer

Mas não te esqueças do conselho que encaixastes

E quero que feliz, começes a crescer

P.S:-A um sobrinho (Gui) Que toda a inocência com que nascestes não seja escoada com o cavalgar das emoções...

Ed-27/09/00

 

A minha mente move

O meu corpo fica

Enquanto todo mundo chove

Minha alma enternece rica.

Quando estrelas ardem sós

Luzes se apagam

Não há fogo para nós

E todos os corações se trespassam.

A voz que estremece dentro do mundo

Não pertence ao reino da consciência

Mas ao velho moribundo

Que renega o valor da pura ciência

Tal como eu, que exploro no fino ar

Todos os planetas que se cruzam

Dentro da vida que existe para me aterrorizar

Nestes momentos que perduram

Até eu deixar de te olhar

Por causa do negócio que conjuram

Aqueles que corróiem o meu mar

Mas enfim,

Meu corpo fica

Mina mente move

Enquanto minha alma é rica

Toda a Terra chove

Em lágrimas de solidão

Pela vida que tem em mão

Pela água que perdem

Pois a bebê-la não se atrevem.

Não há direito

Neste mundo existir

Quando o caminho é estreito

E só com medo podes conseguir

A eterna chama

Da vida na rama( que chama? )

Pois, mas...

Todo o meu corpo move

Quando minha mente fica

Enquanto toda a alma é rica

Minha terra chove...

??????????????????????????

Ed-25/09/00

 

Nada se parece com o que é...

Já ninguém se move com a sua fé

Todos demovem seus antepassados

O puro momento

Todos promovem os seus actos

Com corroídos pensamentos

De verde ser

Verde ficar

Verde vencer

Verde pensar

Para mim...não é só o verde industrial que interessa

Prefiro a cor onde não há pressa...

Ed-25/09/00

 

A um inspirador-Buckley R.I.P.

Com o mais puro dos olhares

Percorreu o duro caminho

Com pensamentos singulares

E um fraternal carrinho

Com a sua caneta d’oiro

Atravessou a minha alma

Com um leve estoiro

E me atraiu á calma

Fostes das mais puras almas que percorreu a nossa existência voraz...

Por todo o prazer que tivestes enquanto acelaravas

Descansa em paz...

Ed-28-09-00

 

 

 

 

 

 

O olhar reluzente em trevas ensombrado…

Mais em tempo do que em breve espaço,

Me faz sentir levemente embriagado,

Tal como corvo em pedra de aço…

Em todo o resto me fizestes sofre…mal-tratado,

Com mão dura segurando o maço…

Agora, com abela vista do prado,

Iluminado em cada passo….

Me faz fome o céu…

Tal como faz o sangue…

Ó se não fizesse de ti réu,

Talvez agora viesse saciado…

Pois com sede de alma eu estou.

Pois poeta vampiro eu sou…

 

Edgar Alves Moreira

25/02/99

 

 

 

Ó escuridão negra como breu….

Como me deixei guiar…por esse mal teu…

Mal que é doce,

Doce de condão,

Mal que arranca a luz, do meu coração

Alma negra que me assombras…

Iluminada com cinzas ebónicas----

Elemina teus pecados de mim

Antes que o fio chegue ao fim…

 

Edgar Alves Moreira

25/02/99

 

 

A minha vida é uma noite…

Noite imensa…

A minha vida foi.-se,

O meu coração não pensa….

Rabiscava a lápis grosso as emoções,

Mas a pena partiu-se….

Ódio que nasce de meu coração

Mai cedo…mais tarde…viu-se

Talvez alguém que chegue do alto

Faça maravilhas onde ninguém conseguiu

Talvez alguém preencha o lugar donde me falto

Só mesmo alguém que me viu…

 

Edgar Alves Moreira

10/03/9

 

 

 

O escuro e o negro são meus…

O claro e o belo são teus…

Tão depressa quanto falastes…

Mais depressa mos roubastes…

Choro à bruta solidão…

Uma história meiga…

Talvez seja o meu coração,

Quem te ame e te proteja.

Gosto de ti negra princesa

Talvez os teus olhos…

Talvez a tua presa….

Presa onde se prende o puro e sentido…

Fúria negra em que me embalastes….

Talvez agora consiga matar o cupido…

 

Edgar Alves Moreira

10/03/9

 

 

 

 

 

 

Que será este sentimento de praze que me invade a alma?

Talvez segurança?

Talvez calma?

Talvez prazer de espírito…

Com certeza bravura de coração…

Pois afastei o mefisto…

Será que agora o fado se transformou em música?

Musica de levitação

Música no coração…

Será que o futuro se reflecte em meu espírito?

Ou se refracta em vidro alheio…

Ó destino que te tardas em revelar

Alivia minha dor…dor de vaguear…

Traz luz a minha escuridão…

Reúne os pedaços de meu coração

Trevas imensas em que me encobri…

Tanto mal me fazem à razão

Efeito…que só agora descobri…

 

Edgar Alves Moreira

18/09/9

 

 

 

Sinto-me deprimido…Abafado

Gosto de me entir amado…realizado…

Quando me cortam a fala…

Meu coração não cala…

Tenho de o meter na mala…

Mais raro é o efeito do amor…neste pálido horror…

Meu corpo chora de dor…minha alma sem cor…

Talvez o céu estrelado….me arranque o magoado…

Minha vida é fado…talvez desgraçado…

Alguém que me salve…alguém que me ame…

Alguém que me tire da cave…alguém que tenha a chave…

Salvem-me antes do sol poisar…

Pois a lua…está prestes a chamar….

Edgar Alves Moreira

14/03/99

 

 

 

 

Meu ser é de luz feito…

Mas de negro é colorido…

Minha imagem está vestida a preceito…

Minha alma com ferida está dorida…

Aspiro a um ser inuagalável…

Alugueres insuperável…

Ah!talvez demasiado maleável…

Tanto prazer de mais me dará a alma…

Tanto ardor me dá este corpo….

Terei de ser com certeza…morto…

Almaminha que te gastas…

A mim não mais te afastas…

 

Edgar Alves Moreira

14/03/99

 

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